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INSTALAÇÃO
“ Linha Sólida”
Artista: Yeda Sandoval - Capela do Morumbi
Novembro de 2005 - São Paulo

Será inaugurada no dia 05 de novembro a instalação “Linha Sólida” da artista plástica Yeda Sandoval, na Capela de Morumbi, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Nesta exposição a artista apresenta um projeto composto por 20 barras de alumínio usinado, algumas suspensas no ar e outras apoiadas no chão.

Essas barras de alumínio possuem a força do gesto gráfico comum no desenho, que no metal se materializa na forma de desenhos soltos no espaço, chegando a relações minimalistas de grande força expressiva.

Antonio Carlos Fortis, o antropólogo que apresenta a instalação, escreve no texto: ”Visitar esta exposição de Yeda Sandoval é revisitar os desenvolvimentos do uso do metal enquanto linha na construção da história da escultura”.
“ A instalação de Yeda na Capela do Morumbi constitui um locus privilegiado para a observação da revolução conceitual na percepção do espaço na contemporaneidade pelas artes visuais”.

Mais à frente, Fortis prossegue: “Trata-se do significado de espiritualidade que recende de suas obras, presente também nesta exposição: as interrupções entre os elementos do solo da instalação, em quase-contato com os que pendem do teto (espécie de contato sem toque, cujo paradigma são os dedos de Deus e Adão no teto da Capela Sistina) o revelam claramente”.

“È nesse domínio, no universo das relações entre o que desce e o que sobe, entre o humano e o que o transcende, que a própria materialidade da obra obtém todo o seu alcance, já que a natureza do espaço expositivo (a Capela) é idêntica à natureza do espaço da obra, homologando assim o espaço literal e o espaço metafórico”.

A instalação de Yeda Sandoval sintetiza de forma brilhante as suas pesquisas dos últimos anos, transportando para o interior desse espaço todo o seu universo criativo conseguindo um resultado equilibrado e harmônico.

 

TEXTO DE APRESENTAÇÃO

Linha Sólida como Expressão do Insólito

Visitar esta exposição de Yeda Sandoval é revisitar os desenvolvimentos do uso do metal enquanto linha na construção da história da escultura.

Iniciada por Picasso, passando por González, Calder, Smith e Nauman, a construção da espacialidade moderna é absolutamente tributária das virtualidades do metal.

A “Construção de Arame” de Picasso constitui uma revolução feita de metal. Para Gonzaléz, a tarefa do escultor era a de “desenhar no espaço” com o metal. Calder conseguiu sua volumetria móvel por recurso à plasticidade desse material. Smith demonstrou que a construção do volume não necessitava de um eixo organizacional, servindo-se do metal. Nauman destacou o próprio corpo do observador como o lugar privilegiado do movimento no interior do espaço da obra.

O vazio em lugar do volume, a transparência mais que a opacidade, a luminosidade e a reflexividade antecipadas à substancialidade dos materiais, a suspenção e a mobilidade em troca das cargas estáticas constituíram operações conceituais que tornaram o espaço escultórico experimentável, penetrável e recriável pelo destinatário da obra de arte contemporânea. Todas essas inversões se estabelecem em contraposição à contemplatividade estática da escultura clássica.

A instalação de Yeda na Capela do Morumbi constitui um locus privilegiado para a observação da revolução conceitual na percepção do espaço na contemporaneidade pelas artes visuais.

De fato, insubstancialidade, transparência, luminosidade, reflexividade, mobilidade, penetrabilidade constituem as categorias dominantes da presente obra da artista, organizadas de modo a levarem o fruidor a experimentá-las levemente, delicadamente, refinadamente em seu movimento no interior da obra.

Se, contudo, no plano da expressão, a instalação de Yeda consiste de um roteiro das transmutações da concepção do espaço escultórico, no plano do conteúdo, ela revela a própria ordem do perene, do duradouro.

Trata-se do significado de espiritualidade que recende de suas obras, presente também nesta exposição: as interrupções entre os elementos do solo da instalação, em quase-contato com os que pendem do teto (espécie de contato sem toque, cujo paradigma são os dedos de Deus e Adão no teto da Capela Sistina) o revelam claramente. Da mesma forma a obra exposta no anexo o faz mediante a metáfora corporal, que suscita enfaticamente a posição de genuflexão.

Assim, curiosamente, parece encontrar-se exatamente no plano do conteúdo, a maior contribuição da instalação de Yeda Sandoval. È nesse domínio, no universo das relações entre o que desce e o que sobe, entre o humano e o que o transcende, que a própria materialidade da obra obtém todo o seu alcance, já que a natureza do espaço expositivo (a Capela) é idêntica à natureza do espaço da obra, homologando assim o espaço literal e o espaço metafórico.


Antonio Carlos Fortis
antropólogo


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INSTALAÇÕES
2006
- Helena Falconi
2005
- Anna Donadio
- Yeda Sandoval
2003
- Zuleica Bisacchi