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EXPOSIÇÃO
“Livro-obra
 
julho de 2005 - Espaço Cosipa Cultura - São Paulo

Exposição “Livro-Obra” reúne 15 artistas contemporâneos

Uma rica e diversificada exposição coletiva de “Livros-Obras” no âmbito da arte contemporânea será aberta ao público no dia 5 de Julho às 20h no Espaço Cosipa Cultura.

Organizada pelo Estúdio Contempoarte sob a curadoria do artista plástico Waldo Bravo a exposição “Livro-Obra” reúne um rico panorama de experiências feitas a partir do desafio proposto a um grupo de artistas: desenvolver obras utilizando como suporte o “formato livro” o livro do artista.

“...as quinze obras apresentadas, embora discutam questões perenes da contemporaneidade como a relação complexa entre texto e imagem, entre as palavras e as coisas, enfatizam sobretudo a dimensão interativista da forma-livro, destacando o contato do fruidor com a obra.”, diz Antonio Carlos Fortis, o Antropólogo e Critico de Arte que apresenta a mostra.

“É, aliás, no campo da interatividade que se encontra o melhor da contribuição desta exposição para a “biblioteca artística brasileira”, já que, à diferença de exposições precedentes, sublinha a taticidade sobre a visualidade, fazendo desta uma mostra mais para mexer que para apenas ver”, Fortis complementa.

Os 15 artistas plásticos participantes da mostra são: Araci T. Ishida, Amaryllis Norcia, Anna Donadio, Edmeia Rui do Amaral, Evelina Villaça, Helena Falconi, Lucia Romano, Lucia Rosa, Marilene Agonilha, Rose Romano, Suzana Garcia, Theresinha Nogueira, Yeda Sandoval, Ysabel Diaz Reyes e Walter Gini.

TEXTO DE APRESENTAÇÃO

Embora com antecedentes no construtivismo russo, no futurismo italiano e no surrealismo francês, o livro como gênero artístico é um produto do século XX e um sub-produto da arte conceitual*.

De fato, a arte conceitual ( momento em que a arte se tornou insubstancial ) revelou que as imagens podem ser vistas como análogas à linguagem. Assim, uma obra de arte pode ser lida do mesmo modo que, inversamente, as palavras podem ser tomadas como imagens**.

No Brasil, o livro-objeto ou mais geralmente o livro como suporte, que popularizou-se nos EUA nas décadas de 80 e 90, tem tido toda a sua dignidade conceitual originária consubstanciada nas obras de Lygia Pape, Paulo Bruscky e Waltercio Caldas. Artistas responsáveis pela constituição da linguagem da biblioteca artística brasileira*.

É para esta biblioteca que a presente exposição, levada a efeito no Espaço Cosipa Cultura, vem contribuir.

Sob a curadoria do artista plástico Waldo Bravo, as quinze obras apresentadas, embora discutam questões perenes da contemporaneidade como a relação complexa entre texto e imagem, entre as palavras e as coisas, enfatizam sobretudo a dimensão interativista da forma-livro, destacando o contato do fruidor com a obra.

É, aliás, no campo da interatividade que se encontra o melhor da contribuição desta exposição para a “biblioteca artística brasileira”, já que, à diferença de exposições precedentes, sublinha a taticidade sobre a visualidade, fazendo desta uma mostra mais para mexer que para apenas ver.

Nesse sentido, a presente exposição suscita uma verdadeira transmutação na pragmática expositiva deste campo das artes visuais. Invertendo as prioridades habituais, ela confere primazia à função em lugar da forma – como até hoje se fez.

As obras de Walter Gini, Yeda Sandoval e Lúcia Rosa impõem uma ação de circularidade ao fruidor: virar os painéis metálicos para escolher imagens na obra de Walter, girar as páginas do livro de Yeda para compor imagens e circular em torno do livro de Lúcia para observar todas as suas faces.

A ação de abrir e folhear é privilegiada na obra de Edneia Amaral que assim apresenta sua diversidade de superfícies, no livro de sonhos de Amaryllis Norcia que desse modo revela suas memórias e reflexões e nas fotos do livro de corpos para tocar de Anna Danadio.

O espaço e suas virtualidades ( objeto de investigação da escultura ) é o tema de Terezinha Nogueira que pensa a página enquanto suporte volumétrico, de Ysabel Diaz Reyes para quem o espaço da obra destina-se a uma viagem visual e mental e de Suzana Garcia que expõe um livro em cujo espaço se adentra com o corpo inteiro.

Abrir e remontar são as ações interativas solicitadas pelo livro de vidros de Evelina Vilaça e pelo livro de Helena Falconi. Ambos oferecem cor e transparência para o exercício de recriação das obras por seus manuseadores. Também o livro-cubo-mágico de Araci T. Ishida e o mostruário paisagístico de Marilene Agonilha recorrem a essa espécie de interatividade.O primeiro na forma de jogo lúdico e o último de modo racional e formalizado.

É o puro ato de abrir que Lúcia e Rose Romano invocam com as suas obras. Razão porque o livro-sarcófago de Lúcia é tão hermeticamente fechado e o pergaminho contemporâneo de Rose tem seu ponto formal alto na ação de desenrolar.

Que as ações de circular, de abrir e folhear, de adentrar, de remontar, recriar e de fechar possam enriquecer o arsenal perceptivo e experencial do visitante dessa exposição, no seu envolvimento com a arte e com a contemporaneidade.

Antonio Carlos Fortis
Antropólogo


*cf. NAVAS.Adolfo Monteja,“À luz do Olhar”in CALDAS.W,Livros ,S.P,2002.
**cf. ARCHER.Michael, Arte Contemporânea, S.P,Martins Fontes,2001
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