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EXPOSIÇÃO
“Interatividade”

Agosto de 2007 - Espaço Cosipa Cultura - São Paulo

Mostra busca trazer o público para interagir com os trabalhos, e fazer com que cada um ofereça o que tem de melhor para o conteúdo das obras.

O Grupo Contempoarte apresenta sua mais recente criação. A exposição “Interatividade”, composta por obras de 17 artistas contemporâneos, que convidam o público a participar dos trabalhos. A mostra será realizada no Espaço Cosipa Cultura, localizado na Av. do Café, 277, com inauguração prevista para o dia 17 de agosto, às 20 horas e término no dia 31.

O desenvolvimento desse trabalho reúne um rico panorama de experiências feitas a partir do desafio proposto aos artistas: obras dependentes da relação com o espectador, e por isso mesmo, sem autonomia. A exposição ”Interatividade”, insere-se num duplo e importante contexto. A contemporaneidade global e o pioneirismo local. E mesmo que um único conceito – o de Interatividade – organize a mostra, há duas matrizes experimentais nela.

“O visitante notará que uma solicita diretamente o seu corpo, enquanto a outra, mais cognitiva, dirige-se antes a sua mente”, afirma Antonio Carlos Fortis, o antropólogo e crítico de arte que apresenta a mostra. “E neste caso, que a presente exposição possa realizar o seu melhor propósito em cada um dos visitantes. Levando-os ao abandono de uma mera condição contemplativa e para experimentar ativamente as obras, decidindo, ele próprio, o que lhe foi mais solicitado: o corpo, ou a mente”, complementa Fortis.

Os 17 artistas plásticos que estarão participando da mostra são: Anna Donadio, Antonio Uemir, Araci Ishida, Bia Black, Claudia Valeria, Eleanor Aidar, Evelina Villaça, Giselle Fleck, Helena Falconi, Jaqueline Comazzi, Leilah Costa, Nina Arbex, Rossanna Jardim, Suzana Garcia, Walter Gini, Yeda Sandoval e Vivian Marin.

TEXTO DE APRESENTAÇÃO

Arte Corpo – Arte Mente

A produção de arte contemporânea brasileira ocupou um lugar inaugural na introdução da participação do espectador na obra de arte visual.

O experimentalismo dos artistas neoconcretos, aliado ao propósito de levar o objeto de arte para o espaço vivido, aproximando arte e vida, artista e espectador, foram os responsáveis pelo seu pioneirismo.

Lygia Clark (“Bichos”), Hélio Oiticica (“Parangolés”) e Lygia Pape (“Divisor”) produziram as obras interativas mais significativas desses inícios, convertendo a participação do espectador em fator estruturante da obra.

O seu escopo era o de ampliar as fronteiras da arte – limitadas pelo modernismo ao puro domínio da imagem – até o campo da experimentação no qual o corpo adquiria o estatuto de suporte da própria arte.

As obras desses artistas antecederam, nesse aspecto, a “Minimal Art”, já que foi depois delas que Carl Andre apresentou sua obra interativa na qual o espectador caminhava sobre a obra conferindo-lhe assim o seu sentido.

Em razão desses precedentes, a presente exposição ”Interatividade”, realizada no Espaço Cultural Blue Life por dezessete artistas contemporâneos, insere-se num duplo e importante contexto: na contemporaneidade global e no pioneirismo local.
Embora um único conceito – o de Interatividade – organize a mostra, há duas matrizes experimentais nela. O visitante notará que uma delas solicita diretamente o seu corpo, enquanto a outra, mais cognitiva, dirige-se antes a sua mente.

ANNA DONADIO propõe uma espécie de interação com a sua obra mais cognitiva que visual, embora isso não se revele imediatamente. O que é bastante inusitado em se tratando de fotografia. Ao virar os triângulos com as fotos do nu feminino, o que primeiro se suscita é a apreciação da nudez e o desejo de ver cada vez mais, virando novos triângulos. No entanto, o observador curioso desejará ler o poema “Água Sexual” de Neruda inscrito no corpo nu. Mas ao fazê-lo, ele terá superado a condição retiniana do seu voyeurismo em favor do desejo de conhecer os versos do mestre.
As pilhas de livros que ANTONIO UEMIR dispõe sobre um grande tapete para serem desordenadas, ordenadas e reordenadas pelo visitante, implicam um duplo deslocamento de sentido. Primeiro quanto aos livros, depois com respeito ao próprio experimentador. Os livros tornam-se o que sempre foram antes de tudo: objetos volumétricos e coloridos que, em grandes quantidades, podem criar espacialidades e formas plásticas múltiplas. O experimentador, por sua vez, é convidado a se sentar no tapete para manusear os livros, podendo experimentá-los também pelo que são e não pelo que dizem. Com essa proposta, o artista desvela uma das características da arte contemporânea, qual seja a de ampliar a percepção da realidade a partir da cotidianidade mais imediata.

Trabalhando sempre com unidades que se multiplicam para obter fins visuais inusitados, ARACI T. ISHIDA expõe agora palitos magnéticos que se unem uns aos outros por meio de imãs. Possibilitando uma imensa variedade de formas e arranjos, sua obra suscita o escultor, o criador de formas, no visitante, em razão da versatilidade dos recursos e da beleza pura dos resultados.

A instalação de BIA BLACK colocada na entrada da sala da exposição, com correntes metálicas pendentes do teto, por entre as quais o espectador tem de passar, discute notavelmente o tema da mostra de uma dupla maneira. Em primeiro lugar, o fruidor não está livre para não experimentar a sua obra, como no caso das outras. É compulsória a sua interação com o espaço da obra (daí o título: “Vai Passar”). Em segundo lugar, a espécie de interatividade proposta pela artista não é a do visitante com a obra, mas a interatividade desta com o visitante, já que é a obra que o toca e ele, ao contrário, tenta evitar esse contato ao desviar das correntes que bloqueiam a sua passagem.

A artista plástica e poeta CLAUDIA VALÉRIA apresenta uma mesa para leitura e escrita sobre fitas brancas de cetim. A forma de interação que ela propõe entre a obra e o seu fruidor é de natureza arqueológica, uma vez que deseja extrair dele o que o habita por dentro. Ela parte da hipótese de que o público tem muito o que dizer. Renunciando a exclusividade de autora, convida literalmente o visitante não apenas para partilhar consigo a autoria da obra, mas a assumir, ele próprio, a condição de poeta. A memória pública do evento, registrado nas inscrições, permanece matéria- prima para obras ulteriores da artista. Isso consiste na apropriação da produção artística do próprio espectador, tal como este se apropriou antes da obra. Trata-se de verdadeira reciprocidade entre consumo e produção da arte e da sua autoria.

ELEANOR AIDAR expõe um sobrepositor de transparências para experiências de perspectiva, de luminosidade e de cromatismo pelo fruidor da obra. Sua caixa com placas remontáveis de acrílico, inscritas com signos pictóricos, propiciam apropriações diversas da luz e diferentes resultados formais, permitindo assim a autoria conjunta entre a artista e os manipuladores. Mas sua contribuição para essa mostra vai além da interatividade que propõe. A própria forma híbrida da obra, a meio caminho entre o objeto e a pintura, revela sua contemporaneidade irredutível.

O jogo mítico exposto por EVELINA VILLAÇA dirige a sua mensagem para um domínio profundo da psique do observador. Trabalhando com um vocabulário de signos arquetípicos, a artista suscita uma interação muito específica da obra com o observador: a manipulação física com fins cognitivos. Sua obra fala à mente e à curiosidade desta. Além dessa nobre característica, essa obra da artista homenageia, em termos contemporâneos, a estética magnífica da alquimia medieval.

O João Bobo-presidente de GISELLE FLECK constitui um extraordinário recurso de interatividade contemporânea. Por invocar imediatamente o aspecto passional do espectador (seja por repulsão ou por adesão), por incitá-lo a extravasá-lo legitimamente, em vez de o reprimir, em razão da natureza irônica da obra e de sua contestação intrínseca da arte enquanto campo estético, a artista verdadeiramente impede o público de manter a anacrônica atitude meramente contemplativa diante da obra de arte.

Os totens expostos por HELENA FALCONI são tão agradáveis de serem manipulados como de serem vistos. Eles permitem o reordenamento das unidades e o rearranjo do conjunto, oferecendo sua beleza, sua delicadeza, sua leveza e sua poesia juvenil para serem apanhados com as mãos.

São bastante imateriais os materiais que JAQUELINE COMAZZI oferece para o público dessa exposição manipular. É a essa imaterialidade, formada de camadas de luz, filtradas por teias de tela transparente, sobrepostas e repletas do próprio espaço expositivo, que o espaço de sua obra apropria sem privatizar, que constitui a poética com que a artista convida, suavemente, o observador a fazer-se autor.

A partir de sua poética visual digital, LEILAH COSTA apresenta, nessa exposição, um jogo de cubos de unir e separar em que doze casais separados podem se unir por meio da operação do manipulador. Não obstante a racionalidade da lógica com que a artista trabalha, é pura afetividade o que o seu jogo expressa ao propor o encontro e a união entre os sexos.

A cruz de véus de sedas translúcidas que NINA ARBEX expõe é tão diáfana que parece pairar no ar, emblematizando o mistério sutil mas onipresente do divino. Ela é uma espécie de suave oração visual em vez de sonora. Oração que se materializa em luzes delicadas para permitir que o sagrado seja tocado com as mãos.

Reprografias de pinturas de máquinas de escrever de ROSSANNA JARDIM, expostas ao lado da própria máquina que nelas figura, constituem juntas a obra apresentada pela artista nessa mostra. A possibilidade de atuar sobre as cópias é menos importante nesse caso que o cotejamento pelo espectador, entre o real e a sua leitura poética, entre a referência e o sentido, entre o signo e o significado.

As fotos interferidas de urbanizações do século XIX com que trabalha SUZANA GARCIA, dessa vez aparecem em imagens de projetor para serem processadas pelo público. Trata-se de um modo de evidenciar o destaque entre a foto e a interferência, mas também de revelar a pertinência da interferência ao colocar sobre a foto outros signos culturais seus contemporâneos, enfatizando o lirismo arquitetônico do período. Pelo estudo das imagens ampliadas e sobrepostas, essas relações especializadas podem ser experimentadas e avaliadas.

Os tridimensionais geométricos que VIVIAN MARIN oferece ao destinatário da sua obra funcionam como fragmentos coloridos e translúcidos para montagem por parte do fruidor. Desejando que ele os conecte uns aos outros por meio de hastes introduzidas nos furos de cada peça, a artista cria uma espécie de pedagogia da percepção estética em que sobreposições de cor, transparência, formas e volumes extraem do agente o encantamento que está na raiz da produção de arte. Ao fazê-lo, o desloca da condição de consumidor para a de produtor de arte.

Trabalhando com a imagem da memória infantil do pião, WALTER GINI converte esse signo cultural e biográfico em poesia experimentável pelo corpo. A sua poltrona-pião, sobre cujos rodízios o visitante pode girar a si mesmo como se gira um pião, realiza uma operação verdadeiramente mágica: ela permite obter com o corpo inteiro a sensação que as crianças experimentam apenas com o olhar, mas que as fascina. O que as fascina parece ser a sensação de girar tal como gira o objeto observado.
“Coração de Pião” faz isso: converte uma sensação apenas visual numa sensação corporal total.

Apaixonada pelas possibilidades gráficas da linha, mesmo trabalhando na tridimensionalidade, YEDA SANDOVAL expõe agora uma seqüência de varais horizontais em que o espectador-manipulador pode ordenar várias esculturas de fios metálicos disponíveis para serem penduradas neles. Com essa espécie de pentagrama, destinado a receber notas musicais de alumínio, a artista assimila poeticamente grafismo tridimensional e notação musical.

Com essas dezessete obras, que a presente exposição possa realizar o seu melhor propósito em cada um dos visitantes, levando-os a deixarem a mera condição contemplativa e a experimentarem-na ativamente com todo o seu ser, decidindo, ele próprio, o que lhe foi mais solicitado: o corpo ou a mente.

Antonio Carlos Fortis
antropólogo


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