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INSTALAÇÃO
“Centopéias”
Artista: Helena Falconi - Capela do Morumbi
Fevereiro de 2006 - São Paulo

Será inaugurada no dia 04 de fevereiro, a instalação “Centopéias”, da artista plástica Helena Falconi, na Capela de Morumbi, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Nessa instalação, a artista apresenta um projeto composto por 8 “centopéias” brancas que pendem do teto até o chão. Ali, elas se espalham sobre um grande tapete de fragmentos de EVA preto.

As “centopéias” são produzidas a partir do material EVA, o qual é montado em cabos de aço. Os tamanhos dessas “centopéias” variam de 6 a 9 metros de comprimento, com diâmetros de 15 a 40 cm.

No anexo lateral, Helena mostra 3 torres de 170 cm, também em EVA. Essas torres, porém, possuem uma estrutura lógica e organizada, obtida a partir de fragmentos idealizados e cortada industrialmente, para logo montá-los na sua base metálica.

Antonio Carlos Fortis, o critico de arte e antropólogo que apresenta a instalação, escreve no texto: “Num processo que seguiu-se do bidimensional para o tridimensional, das sobreposições geométricas [ainda na forma de quadros] para as colunas de sobras e de retalhos de e.v.a, até a criação das centopéias gigantes, o que ocorreu com a obra de Helena foi uma passagem do rigor geométrico para a flexibilização das formas, um deslocamento da geometricidade para a organicidade”.

Mais à frente, Fortis prossegue: “Com uma forma extremamente depurada para bem expressá-las, as centopéias da Capela do Morumbi convidam o observador para imergir num universo em que adultos podem observar as coisas a partir do ponto de vista das crianças. Desse ponto de vista, o objeto observado permite que o sujeito observador volte a experimentar a espécie [holista] de visão em que o ato de ver e o de imaginar ainda não haviam sido separados pela razão”.

 

TEXTO DE APRESENTAÇÃO

Centopéias para Rever o Modo de Ver

A instalação que a artista plástica Helena Falconi expõe agora na Capela do Morumbi revela um momento muito significativo no desenvolvimento de sua obra.

Ao mesmo tempo em que a enriquece e apura no domínio formal, ela a aprofunda no domínio temático.

Assim, as enormes centopéias de borracha [e.v.a] que descem das vigas do teto e enrolam-se no piso da Capela, constituem o momento culminante dos experimentos da artista com esse material.

Num ´processo que seguiu-se do bidimensional para o tridimensional, das sobreposições geométricas [ainda na forma de quadros] para as colunas de sobras e de retalhos de e.v.a, até a criação das centopéias gigantes, o que ocorreu com a obra de Helena foi uma passagem do rigor geométrico para a flexibilização das formas, um deslocamento da geometricidade para a organicidade.

Se as sobreposições eram geometrizadas desde a parte até o todo, as colunas passaram a ter as suas unidades constitutivas muito mais fluidas, embora resultassem na forma vertical de pilar. A conquista, porém, da organicidade e da flexibilidade, tão pertinentes ao material [e.v.a], só viria a consolidar-se totalmente na forma das centopéias. Centopéias brancas. Brancas , sem a interferência da cor, para a plena expressão da volumetria oferecida ao impacto da luz.

Em resumo, no domínio formal, as centopéias aéreas de Helena Falconi constituem uma expressão plástica da noção complexa de volumetria orgânica ou organicidade volumétrica. Nesse sentido, os objetos figurativos são objetos teóricos dotados de meios metalinguísticos específicos[*].

No domínio temático, o aprofundamento do conteúdo da obra da artista é igualmente notável. O caráter lúdico e de brinquedo dos seus recortes, retalhos e sobras, aglutinados em sobreposições, colunas e, finalmente em centopéias, tem longínquas raízes biográficas.

Em certa fase da sua infância [entre dez e doze anos] Helena fez recortes para pipas, balões e máscaras de carnaval com que brincou. Mas foi numa fase ainda anterior [entre sete e oito anos], em que a brincadeira era própriamente travessura, que se encontrou o signo arquetípico da sua profunda expressividade presente.

Nessa fase, Helena apanhava taturanas [verdes] das goiabeiras, [marrons] dos abacateiros, [marron-escuras] dos maracujás, [pretas e verdes] das flôres-do-mato e as colocava em raias para as fazer correr. A corrida das taturanas _ que eram desenroladas manualmente para competirem _ e as raias diversas em que se esgueiravam, iriam constituir no futuro o símbolo dominante da poética da artista.

É, portanto, na raiz do ato criador, que no seu caso é idêntico ao ato de brincar, que se encontra o fundamento das centopéias gigantes de Helena Falconi, tal como ela as via na infância.

Com uma forma extremamente depurada para bem expressá-las, as centopéias da Capela do Morumbi convidam o observador para imergir num universo em que adultos podem observar as coisas a partir do ponto de vista das crianças. Desse ponto de vista, o objeto observado permite que o sujeito observador volte a experimentar a espécie [holista] de visão em que o ato de ver e o de imaginar ainda não haviam sido separados pela razão.


Antonio Carlos Fortis
Antropólogo


[*] c.f Omar Calabreze.


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INSTALAÇÕES
2006
- Helena Falconi
2005
- Anna Donadio
- Yeda Sandoval
2003
- Zuleica Bisacchi